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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

veste


Veste um sorriso,

como quem veste uma flor.
Acautela-te do frio
que a tristeza traz.
Lembra-te,
a vida pode ser uma peça de teatro,
tu até podes nem ser actriz,
mas mesmo como técnica de luzes,
serás sempre necessária;
por isso,
não te esqueças 
de te cobrir com um sorriso,
deixa o drama
com os do palco.

(Jaime A.)




quinta-feira, 29 de novembro de 2012

rolha



Hoje,
a rolha saltou do pipo,
não voou,
não fez um arco,
uma parábola 
fendendo os ares
carregados da adega.
Saltou,
assim mesmo.
Numa percepção
artilheira,
não vaga,
mas certeira,
furou uma dorna
de generoso
moscatel de '77
que a banhou 
em cálido caldo.
Ficou assim,
submersa em 17,2%
em volume de álcool.
Inchou um pouco,
na razão directa
da sua dormência
porosa e vegetal.
Só que o moscatel,
no seu vigor de macho
setubalense,
foi-se libertando,
evaporando,
lento,
tranquilo.
Quis levar a rolha consigo,
mas a gravidade opôs-se.
Então,
ficou só,
aquela rolha
e,
entre as células vegetais,
surgiu um plano de inspiração de ar!
E assim,
vagueou a nossa rolha
pela sua adega,
metendo-se,
não nos copos,
nem nas pipas,
mas nas garrafas
que estilhaçasse!!


(fonte da imagem:
http://coisinhasdowilly.blogspot.pt/2010/09/rolha-de-cortica.html)

sábado, 3 de outubro de 2009

Penélope Sou Eu


Textum, tecido, texto, tecer...
O amor tecido em um tapete infinito,
Com Penélope ao tempo fiar
E a confiar no poder do Amor...
A verdadeira forma de amar
Pode estar amortecida pelo tempo,
Mas um dia, um momento,
Ao Ulisses navegante concederá o despertar...
Tricotar o sonho de dia,
E à noite, a realidade vir desmanchar...
Somente quem ama de fato
Sabe pelo amor verdadeiro esperar...

O Amor tece o verso,
O Tempo amortece o peito;
O Destino tece o vento,
A Vida amortece o leito...
Por isso vivo sonhando acordado,
Fiando meus dias e desfiando minhas noites,
Confiando em meu destino,
Desconfiando que sem o seu Amor
Nada sei sobre o que é o Amar...

O fio da vida, da meada,
Da sorte, da calçada...
O fio da morte, da estrada,
Da esperança, da jornada...
A teia de aranha, ao tempo querendo aprisionar...
O fio da navalha, ao sonho desejando libertar...

Se pra alguém ser feliz é preciso de sufrágio,
Confesso: sou frágil com qualquer tipo de apuração...
Minha nau é também frágil,
mas sobrevive a todos os meus naufrágios,
Quando vem dar à praia, junto ao Farol da Solidão...
Penélope sou eu, às vezes,
À espera do seu mítico Ulisses;
Do grande Amor que nada é sem o imenso aMAR...
Algo que me invade, mas não arrasa;
Que desacomoda, mas não me despeja;
Que me deseja, mas não me devora;
Que arrasa, mas nada destrói;
Algo que arde, mas nunca corrói...
Sou um poeta que (re)vive, igual à Penélope de Ulisses,
Fiando os dias e desfiando as noites,
À espera do entretecer dos sonhos
entre o intenso e terno amor da Amada
e o meu imenso e eterno aMAR...


Imagem extraída daqui