sábado, 3 de outubro de 2009

Penélope Sou Eu


Textum, tecido, texto, tecer...
O amor tecido em um tapete infinito,
Com Penélope ao tempo fiar
E a confiar no poder do Amor...
A verdadeira forma de amar
Pode estar amortecida pelo tempo,
Mas um dia, um momento,
Ao Ulisses navegante concederá o despertar...
Tricotar o sonho de dia,
E à noite, a realidade vir desmanchar...
Somente quem ama de fato
Sabe pelo amor verdadeiro esperar...

O Amor tece o verso,
O Tempo amortece o peito;
O Destino tece o vento,
A Vida amortece o leito...
Por isso vivo sonhando acordado,
Fiando meus dias e desfiando minhas noites,
Confiando em meu destino,
Desconfiando que sem o seu Amor
Nada sei sobre o que é o Amar...

O fio da vida, da meada,
Da sorte, da calçada...
O fio da morte, da estrada,
Da esperança, da jornada...
A teia de aranha, ao tempo querendo aprisionar...
O fio da navalha, ao sonho desejando libertar...

Se pra alguém ser feliz é preciso de sufrágio,
Confesso: sou frágil com qualquer tipo de apuração...
Minha nau é também frágil,
mas sobrevive a todos os meus naufrágios,
Quando vem dar à praia, junto ao Farol da Solidão...
Penélope sou eu, às vezes,
À espera do seu mítico Ulisses;
Do grande Amor que nada é sem o imenso aMAR...
Algo que me invade, mas não arrasa;
Que desacomoda, mas não me despeja;
Que me deseja, mas não me devora;
Que arrasa, mas nada destrói;
Algo que arde, mas nunca corrói...
Sou um poeta que (re)vive, igual à Penélope de Ulisses,
Fiando os dias e desfiando as noites,
À espera do entretecer dos sonhos
entre o intenso e terno amor da Amada
e o meu imenso e eterno aMAR...


Imagem extraída daqui

7 comentários:

maré disse...

desteço o enredo

teço marés

até que uma barca

rase
o universo do a MAR

um beijo

José Antonio Klaes Roig disse...

Bela composição poética. Um primor de concisão, beleza e estética. Parabéns. Um abração!

Jaime A. disse...

"desteço o enredo

teço marés

até que uma barca

rase
o universo do a MAR"
(...)

então refreio o meu calado,
a minha nau,
a crista marejada
leva Ulisses à enseada,
e Penélope tece,
enquanto borboletas,
entre suspiros,
esvoaçam com tons de verde
no fundo das suas asas...

maré disse...

como quem chega
com um abraço de luas
e traz uma boca inteira de mar.

Silvana Nunes .'. disse...

Maravilha o seu cantinho.
Na intenção de divulgar o meu trabalho, cheguei até você.
Gostei muito do seu espaço. Eu não estou podendo ler tudo de uma vez porque a tela do computador atrapalha um pouco a minha visão, mas certamente voltarei mais vezes. O meu oftamologista pediu que desse um tempo da telinha... e eu sou fraca ?
O meu território já está demarcado.
Convido a dar uma espiada em "FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER.." ( o seu cantinho de leitura), em:
http://www.silnunesprof.blogspot.com
Terei sempre uma história para contar.
Saudações Florestais !

José Antonio Klaes Roig disse...

Que maravilha de versos, caríssimos Jaime e Maré. Adorei demais. Um abraço.

pitya-nu-ar disse...

Amei a construção!!Maravilha que vc continue usando e abusando das letras formando preciosidades