quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Σειρῆνας


Minha querida Σειρῆνας:

O voltar a ver-te,
a tua foto, bem sei,
à posteriori,
melhor, a la “post-mortem”,
deixou-me pensativo:
tanto por dizer,
melhor, por borbulhar,
tantas “discotecas”,
melhor, grutas, para ir…
tanto que ver,
melhor, por submergir…
Afinal, tudo terá ficado
em águas de bacalhau
Estou a falar para uma morta,
para um “ex-queleto”,
mas isto é só desabafo,
amanhã falarei para uma orca…
Depois de estarmos juntos,
depois dos abraços,
dos beijos
e das muitas escamas,
perdi-te o rasto,
melhor, a rota,
(talvez o destino…).
Muitos marinheiros
sorriram,
em espanto boçal
ao me ouvirem falar de Σειρῆνας.
Afinal, Σειρῆνας era
uma cornucópia de onde
nem sempre saíam fortunas;
tantos homens
“que não se aviavam em terra”
tinham lamentado os seus encontros,
talvez Ulisses também…
Houve muito tempo,
(demasiado)
em que os teus braços
estreitavam os veleiros,
numa busca desvairada,
e os homens que te ouviam
que atentavam
às tuas  palavras indecifráveis,
mergulhavam,
deslizavam,
iam contigo,
na tua vitória amarga,
num torvelinho de pavor,
punhos loucos,
negruras eternas;
eras o coração
que vingava
o teu próprio sortilégio.
Também por isso descurei         
a tua presença.
Traidor da minha espécie?
Talvez…
Soube que me vigiavas:
disseram-me em Antikytera,
avisaram-me em Santorini,
e, no anil desperto da manhã,
em Samotrácia a Pandora jurei.
Má sorte a minha:
do teu abraço
para a esperança-traição;
criaram-me o dito:
“Amou Σειρῆνας,
depois Pandora,
caminhos o levaram,
sozinho, afinal”.
Enfim,
o esquecer-te
tornou-me livre,
na liberdade da viagem,
da viagem com os olhos postos,
não na espuma,
mas no horizonte,
que tu não vias,
que tu desejavas
não ver.
Armei-me, pois,
às ondas,
ao desespero da terra firme
e, de novo, à ânsia das ondas
num ir-e-voltar delirante;
um quase-anfíbio,
mas muito longe de ti
(até de Pandora);
e que esperava eu?
Estar de bem com as ondas
e com a praia?
Com os homens
e com os mitos?

Regressei à minha paz
e, ao voltar a ver-te,
a tua foto, bem sei,
à posteriori,
melhor, a la “post-mortem”,
assim espalmada,
uma barbatana quase-de-bacalhau,
a cabeça descaída,
as mãos-ossos
ainda a quererem dar-se
(ou a receber?),
sorri,
aliás gargalhei,
empatia da minha boca
com as tuas mandíbulas abertas,
e sussurrei,
em jeito de saber
de experiência feito:
"No grande mar se cria o grande peixe”,
acrescentei:
“Σειρῆνας nunca foi peixe,
o mar só foi grande sem ela”…

                                Jaime A.
(texto concorrente a um desafio de http://escrita-online.blogspot.com)

(foto obtida a partir desse desafio)
(originalmente publicado no meu 
blogue sopro divino)

quarta-feira, 21 de março de 2012

tempus fugit

Aí amanhece, 
cá a luz banha-nos há horas;
aqui as luzes, além o sonho,
aí derramam-se fios de ouro.
E, assim, quem te abraçar
demorar-se-á,
terá sempre
uns momentos mais...
Oh Brasil!
Meu feiticeiro de sempre...

Jaime A.

(fonte da imagem:

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

leva a corrente

...em pedaços já consumidas,
esquecemos as escolhas,
em férteis perdições,
longínquas.
O Norte,
esse Norte anil,
em Sol,
em resvalo poente,
adormece uma morte,
lânguida,
quase esfiapada,
nas correntes brumosas.
Os caminhos,
esses seguem-(nos),
algures
(bem-hajas, blindness, pelo mote ;)

Quarta-feira, 21 Maio, 2008 (44 anos!)

(foto do autor, obtida com
telemóvel: Aguieira, rio Mondego)

Jaime A.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

imagem

As minhas viagens espraiam-se
pelos livros de sonhos;
caminho pelas páginas
estando quieto,
num sortilégio de remanso,
de esperança dormente... 
enquanto tomo de aguilhão a vida,   
para que me arremesse para lugares-longe, 
tão longe como a lembrança de dias felizes...
Jaime A.

(publicação prévia no meu
blogue sopro divino)

(fonte da imagem:

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

 A posse

Agora é o fascínio do branco,
da alquimia da posse,
da refrega;
abraço a sinceridade,
os despojos da esperança;
fiz-me à vela,
entre rochedos de espumas
[em buliçosa ruptura];
estou mais longe de mim
do que antes das claridades
das madrugadas rompantes.
Até quando estarás afastada do meu tacto,
do meu alento?
Jaime A.
(fonte da imagem:
http://www.domontgallery.com/,
poema publicado originalmente
no meu blogue sopro divino)

domingo, 12 de setembro de 2010

Foto Síntese


Na foto síntese dos dias, vi
Descolando o papel de parede do céu...


Descascando a pintura da parede da casa de Deus...


Quem foi que apagou a linha do horizonte?
Que pintor foi esse que emendou céu com mar,
que fez do meu mar, minha paixão, meu amor?...

José Antonio Klaes Roig

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Arrebatamento

As linhas
Do teu corpo,
Desenhadas,
Como que talhadas
Por um deus
-com se tu fosses, na verdade,
Um anjo

Tanto que os lençóis
Em meu, antes, solitário leito,
São agora como que nuvens

E tu lá,
Serena

De tão puro e calmo,
Mais parecia que tu havias
Arrebatado a minha, antes, taberna,
Agora, templo teu,
Aos céus de tua também, antes, solitária morada

Em um súbito instante,
Porém, quase infinito,
Perco-me de mim e de tudo

O antes tão conhecido quarto,
É, agora, um mistério inteiro e sem fim
Em que só o teu cheiro me é familiar

Eu que agora aprenda a navegar.

07/09/2010
18:40

domingo, 5 de setembro de 2010

névoa

Os ténues vestígios,
as ternas aves que te semeiam,
os rastos,
espumas de declives
que ainda reténs,
levam-te à circular demência;
mas essa - nebulosa, bem sabes - aspira-te o colo,
e as ervas, os galhos, os troncos,
já nem espalham horizontes;
sobrar-te-á, talvez,
a prisão,
uma janela à beira-mar,
drapejada de glicínias...
uma espera no riste do vento
que, só ele,
te perdoa as intempéries. 

(imagem: foto do autor tirada
com telemóvel, local: S. Pedro de Moel,
distrito de Leiria, Portugal)

domingo, 11 de julho de 2010

Dos motivos.

Para Pedro Hálamo, pelo seu aniversário

−Vamos!
Os pássaros cantam;
As folhas estão caindo;
O vento não sopra ao nosso favor
Mas é tão bom senti-lo bater no rosto:

−O céu está aberto
E hoje é dia de viver!

Os relógios são loucos
Gritando mensagens apocalípticas
De universos mortos:

−Nós estamos vivos
E hoje é dia de viver!

O que se vê do futuro não importa.
O que se recorda do passado não ensina.
O que se pensa do presente não guia:

−Hoje é o dia!

Se for pra beber
Que seja até a ultima gota.
Se for pra respirar
Que seja do mais profundo suspiro.
Se for pra viver
Que seja segundo por segundo.

Quanto mais se vive
Mais se quer viver.
Nessa eterna noite mal dormida,
Nesse eterno embriagar-se e se perder:

−Viver!


Cegos? mais vale o brilho no olhar e o sentimento de estar vivo sentindo a existência riscar na pele os sulcos do inesquecível

terça-feira, 27 de abril de 2010

O Jardineiro

Amar
De olhos fechados é mais fácil.
Enquanto as bocas se beijam,
As palavras se calam.

Sonhar
De olhos fechados é mais seguro.
Enquanto os planos dormem,
Os erros se perdem no escuro.

Os beijos platônicos
Estão esquecidos nas gavetas do possível.
Todos os enganos,
Feitos de frutos mal escolhidos,
São os sonhos que o destino
Não fez a vida sonhar.

E o jardineiro,
Podando as rosas,
Cortando as venenosas,
Não espera belas ou cheirosas.
Porque rosa que é rosa,
Em si, só nasce rosa.

(escrito originalmente em 23 de setembro de 2009)

domingo, 11 de abril de 2010

águas latentes

Sonho-me às vezes rei, nalguma ilha,

Muito longe, nos mares do Oriente,

Onde a noite é balsâmica e fulgente

E a lua cheia sobre as águas brilha...

(Antero de Quental, Sonetos)

Encosto os joelhos ao queixo,
as águas acariciam-me.
Pra trás, ao fundo,
entre palmeiras duvidosas,
caminhos toscos,
batem, chocalham,
as canecas da alegria
dum povo que desejo feliz.
Do poder, da posse,
apenas desejo a noite balsâmica,
fulgente,
e nas águas brilhantes,
quero a Lua pra nela brincar,
em jeito de menino,
porque agora, aos meninos,
cegaram-se as vistas;
e na minha ilha,
a oriente de todos os sonhos,
de todos as visões,
está a minha majestade ignorada,
o meu poder apagado,
a inocência diluída.





(fonte da imagem:
http://osaldanossapele.blogs.sapo.pt)

sábado, 10 de abril de 2010

O Azul.

                                                                        Imagem tirada por mim em dezembro de 2009

Alegria é
Um céu azul e limpo
De nuvens brancas e leves.

Serenidade é...
O vento que leva;
O passo lento e breve.

Sem saber pra onde ir
Sem querer chegar

Minha alma se ELEVA
E se desfaz em vapores de alegria
Depois... Chora
E desce MURCHA
Mas encharcada de nostalgia.

Sob o céu eu me deito
E adormeço
Sobre o céu em que me perco.


Porque o azul é sempre mais azul quando no céu esta com nuvens de branco tão leve que paresse nos elevar, só de o contemplarmos.
(escrito originalmente em 24 de julho de 2009)


Rafael dos Santos M.

sábado, 20 de março de 2010

Adeus

Não há como dizer Adeus
Sem tocar em feridas
Embora o negativismo da alma aumente nossos sofrimentos
A realidade usada através da razão
Nos convence depois da superação.

Não há como dizer Adeus
Sem despedir-se de lembranças
De momentos felizes
Das horas tristes
De saudades.

Não há como dizer Adeus
Sem refletir sobre o amanhã
Sem apegar-se a rotina anterior
O frio na barriga que os cerca é sem fim a falta de coragem
Desapegar-se ao passado é uma batalha.

Não há como dizer Adeus
Sem já sentir saudades dos olhos teus
Do cheiro... da pele... dos lábios...
Os sorrisos, gargalhadas e brigas
De tudo aqui que fora importante e se foi distante!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Saudavam com alvoroço as coisas
Novas
O mundo parecia criado nessa mesma
Manhã
(Sophia de Mello Breyner, "Descobrimento" in Ilhas)

Sob os pós das águas
caminhavam entrevendo
as demências insepultas;


nas cristas negras,
as manhãs;


sobravam as gestas,
as glórias
de castos corrupios,
na vaga dor do claro abismo.
(foto 'Gruta Azul',
autoria Tales Azzi,
localização Bonito, MS,
Brasil)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

nortada


Pelo Norte,
as calotas entre frémitos de quietude,
na gulosa angústia dos sentidos,
sonhavam os hemisférios,
entreabertos num só corpo
caloso;
os caminhos estorvavam-se,
nas pederneiras ecoantes,
as vozes frígidas,
os suspiros em gotejos,
cintilavam no pensamento,
naquele Norte
esquecido das sibilas,
dos funâmbulos até,
onde o musgo
tão travesso até aí ,
cabisbaixava-se,
pedinte,
pela sua medra.
Lagos pétreos,
luas dissipando-se,
claras,
migravam o gesto,
o azul férreo,
do Grande Norte!


(imagem retirada da net)
(poema publicado simultaneamente no meu blogue)

sábado, 3 de outubro de 2009

Penélope Sou Eu


Textum, tecido, texto, tecer...
O amor tecido em um tapete infinito,
Com Penélope ao tempo fiar
E a confiar no poder do Amor...
A verdadeira forma de amar
Pode estar amortecida pelo tempo,
Mas um dia, um momento,
Ao Ulisses navegante concederá o despertar...
Tricotar o sonho de dia,
E à noite, a realidade vir desmanchar...
Somente quem ama de fato
Sabe pelo amor verdadeiro esperar...

O Amor tece o verso,
O Tempo amortece o peito;
O Destino tece o vento,
A Vida amortece o leito...
Por isso vivo sonhando acordado,
Fiando meus dias e desfiando minhas noites,
Confiando em meu destino,
Desconfiando que sem o seu Amor
Nada sei sobre o que é o Amar...

O fio da vida, da meada,
Da sorte, da calçada...
O fio da morte, da estrada,
Da esperança, da jornada...
A teia de aranha, ao tempo querendo aprisionar...
O fio da navalha, ao sonho desejando libertar...

Se pra alguém ser feliz é preciso de sufrágio,
Confesso: sou frágil com qualquer tipo de apuração...
Minha nau é também frágil,
mas sobrevive a todos os meus naufrágios,
Quando vem dar à praia, junto ao Farol da Solidão...
Penélope sou eu, às vezes,
À espera do seu mítico Ulisses;
Do grande Amor que nada é sem o imenso aMAR...
Algo que me invade, mas não arrasa;
Que desacomoda, mas não me despeja;
Que me deseja, mas não me devora;
Que arrasa, mas nada destrói;
Algo que arde, mas nunca corrói...
Sou um poeta que (re)vive, igual à Penélope de Ulisses,
Fiando os dias e desfiando as noites,
À espera do entretecer dos sonhos
entre o intenso e terno amor da Amada
e o meu imenso e eterno aMAR...


Imagem extraída daqui

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

encantos...

Nos velhos altares pululavam deuses, tão sacros, decadentes,
tão decrépitos,
que se desvaneciam, já,
as suas vestes,
de maresia salpicadas.
Sacerdotes, trôpegos,
ainda oficiavam,
espalhando incenso,
salmodiando versos inaudíveis,
em línguas encantadas,
esquecidas,
fluidas,
mescladas de ontem.
Balbuciavam encantamentos,
encantos adentro
da flor do tempo
que ressaltava,
voraz,
no pó vetusto
que a cobria,
na secreta,
oculta meia-noite.
















(imagem retirada da net)

sábado, 19 de setembro de 2009

Maçã Verde


Eu não sabia, mas ao apreciar
a maçã verde daquele pomar,
meus olhos de castanhos
em ti postos, doce infância,
ficaram verdes cintilantes
tanto no sentido, como na cor...

Verde: esperança de dias melhores
presentes em cada um de nós.
Ver-te, faz de meu pior dia,
o meu melhor despertar, florescer...
Ainda que a maçã mais conhecida
seja vermelha e enfeitiçada pela paixão,
a verde não é apenas na cor,
um tanto quanto diferente das demais.
A verde também difere
de todas as outras em um pomar,
pois só ela tem um precioso sabor...

Enfeitiçado pela maçã vermelha,
primeiro Adão, que amou perdidamente Eva,
depois a menina Branca de Neve,
passeando no doce bosque da ficção,
fizeram-nos temer pela vermelha fruta.
Ó quanta tristeza para pouca labuta...

A minha maçã verde
é como qualquer outra vermelha maçã,
mas tem pra mim um outro e único sabor...

Verde, cor da esperança...
Ver-te me faz de novo criança,
traz comigo a floração de um novo dia,
todo dia se é feliz, quando se colhe
a maçã verde de um maduro amor...

José Antonio Klaes Roig

Observação: Imagem extraída da internet, do endereço abaixo
http://obaudoedu.blogspot.com/2009/04/
maca-verde-dos-beatles-original.html

sábado, 12 de setembro de 2009

paseo del prado


Os trincos enferrujados
gemem-me nos tímpanos lúgubres.

Há estalidos de desesperança,
faíscam-me nos olhos cerrados.

As planuras esbatem-se
em fragas aprofundantes
alma adentro.

Ferrolhos ondulam-se
em escarpas silenciosas acolá,
aqui tão longe 
que magoam uma sombra;
esforça-se ela por não o ser,
não mergulha nos ossos
que, mansamente, enrijecem
ao sabor de um tempo recuante.

Nada desponta
num plausível rendilhado antigo,
seco,
que já foi luz.

Eis-me aqui.
Um passo atrás
e detrás...
(escrito num Dia de Todos os Santos)
(imagem retirada da net: serra da Freita
no maciço da Gralheira-Portugal)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

nocturno

No caminho do lobo,
encostado ao muro,
sigo as pegadas musgosas,
quase feéricas,
fétidas,
de velhos sonhos da floresta.
Em certas noites,
(dizia-se)
abriam-se atalhos,
a Lua descorava
num festim de gloriosas
chuvas áureas.
Arfo entre dois pontos,
suspiro àquela mata,
que recorda tempos
de fantasias lerdas,
de juízos malfadados,
de intrusões malditas.
Os meus passos suam
soluçam,
suspiram
restos de vinganças,
os meus olhos vêem
garupas escoriadas,
visões almoádas
(de quando o califa imperava),
os meus ouvidos ouvem
rezas há muito esquecidas,
um tropel de imprecações;
os tempos alvorecem
na minha frente...
na busca do dia.

{Ditei-te estas palavras...}


(imagem retirada da net)

(poema originalmente publicado

no meu blogue "sopro divino")

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

vagas












Das brumas da minha tarde
volvi aos pássaros
a pique.
O ares estavam secos,
as juras tinham morrido,
infectas,
repousando,
quais estátuas jacentes,
nas lajes de poemas
já comidos pelo tempo.
Ao fundo,
dois castiçais amortecidos
pelas brisas derramadas
em fugas pendentes;
memórias puídas,
que vagos murmúrios
empedravam
no esquecimento da tua pele...

(imagem retirada da net)
(poema originalmente publicado no meu blogue sopro divino)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

troféus

Já caminha velha
a liberdade.
Vai cambaleando,
o bordão da vida
à sua esquerda.
Agora, recolhia-se,
ao fundo do Capitólio,
à direita,
a seguir ao busto de Péricles (...).

(imagem retirada da net)


sábado, 11 de julho de 2009

(aspereza...)

Era o obscuro dia,
parindo a fosca noite;
devassas crónicas
de uma luz fugidia,
anoitecendo-se
nas frugais marés
de um Verão acre.
(imagem retirada da net)
(originalmente publicado no meu blogue sopro divino)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O mesmo

E é sempre o mesmo,
O mesmo plano,
O mesmo modo,
Esse é o mesmo,
E não é engano,
Muito próximo do todo,
O que move o mesmo.
O mesmo é aquele que sempre espera,
Espera morta, que não o chega,
Roda em esfera,
E aceita cega,
A ilusão do mesmo.

terça-feira, 19 de maio de 2009







Entre dois quartos de lua,
rarefiz-me.
subi, montanha acima,
a palavra, a busca.
Entre dois sonhos,
refiz a busca,
não te marquei
ou sublinhei.
Entrei, em vão,
súbita presa do meu falar.
Ficou o muro por escrever,
muro que lamentei,
entre gritos vazios,
quase brancos de memória.
A busca é surda,
o manual fechado.
Passou o tempo das folhas maduras,
dos lápis nascentes.
Hoje, tudo se fechou,
e o silêncio reveste
as lombadas...
(poema retirado do meu blogue sopro divino)
(imagem retirada da net)